sábado, 14 de maio de 2016

Propostas Metodológicas Alternativas Para a Educação Inclusiva a Surdos: Enfoque Nos Conteúdos de Balanceamento de Equações Químicas e Estequiometria Para o Ensino Médio

Por Jomara M Fernandes, Mestre em Educação em Química pela Universidade Federal de Juiz de Fora
jomarafernandes@yahoo.com.br


Olá prezados leitores,

Hoje eu gostaria de compartilhar com todos vocês a minha pesquisa de mestrado que, com muito orgulho, agora estou a divulgar.

Nessa pesquisa fica claro que são poucos os trabalhos já divulgados que relacionam o ensino de química aos alunos com necessidades educacionais especiais. Menor ainda é o número de trabalhos voltados a propor estratégias didáticas diferenciadas com foco na aprendizagem, em especial, do discente surdo. Em vista disso, o anseio maior dessa dissertação foi o de cruzar essas duas vertentes: o ensino de química e a educação do aluno surdo. Buscamos propor estratégias de ensino que atendessem as especificidades do sujeito surdo e que auxiliassem a prática do professor com esses alunos. Nesse sentido, estratégias de ensino e avaliação para os conteúdos de balanceamento de reações químicas e estequiometria foram desenvolvidas com e para surdos. Defendemos que toda a prática pedagógica voltada para o trabalho com esses alunos precisa estar pautada na pedagogia visual e no uso de materiais concretos. Para que esses discentes tenham o acesso aos conteúdos químicos facilitados, ressaltamos que é preciso voltar todos os esforços possíveis na elaboração e divulgação de estratégias de ensino e de terminologias científicas em Libras. Percebe-se que ainda é necessário avançar em estudos com esse viés. Novas investigações precisam ser acrescidas nessa área e divulgadas para os profissionais que lidam diretamente com a realidade educacional.

Que essa pesquisa venha contribuir com a prática de vocês, professores e pesquisadores, que se preocupa com uma educação de qualidade para seus alunos surdos.

Um forte abraço e até logo!

Faça o download da dissertação em PDF através do link:


segunda-feira, 21 de março de 2016

DIALOGANDO EXPERIÊNCIAS: A CONSTRUÇÃO DO SINAL DE DIAGRAMA DE LINUS PAULING.


            O Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora oferece um projeto de extensão voltado para o ensino, da disciplina química, do aluno surdo por meio de recursos acessíveis permitindo a construção de instrumentos de ensino. Paralelo a esses objetivos o projeto visa proporcionar aos graduandos dos cursos de licenciatura em Química, Pedagogia e Letras-Libras experiências na área da educação inclusiva.
Procura-se nesse espaço atender o aluno surdo e considerando as suas especificidades linguísticas, possibilidades para os estudantes construírem conhecimento da disciplina de química. Pesquisas apontam que a ausência de sinais para essa terminologia dificulta a interação do aluno com o novo que lhe está sendo apresentado.
            Ciente destas condições buscou-se organizar as aulas a partir de recursos visuais variados, tais como: programas de informática, tabela periódica interativa, práticas em laboratório e produtos alternativos, além de materiais didáticos específicos construídos de acordo com as observações e colaboração dos alunos, participantes ativos no processo do ensino, tendo como objetivo os seguintes passos.

Essa atividade destaca o trabalho sobre configuração eletrônica, que foi desenvolvido da seguinte maneira:



De acordo com essa imagem, a Aula 2 teve como objetivo a construção de um material didático que foi utilizado recursos específicos construído, pelo professor e os alunos, no formato de um jogo interativo, composto por 7 caixas de plástico transparente, potinhos de plástico transparente de 04 tamanhos diferentes, bolinhas de plástico na cor dourada e etiquetas para identificação.
       
A referida atividade possibilitou melhor compreensão sobre a dinâmica da aprendizagem dos alunos; a importância da produção de materiais didáticos visuais, mais apropriados à formação lingüística do surdo; que a construção de recursos didáticos em conjunto com os alunos também estimula sua autonomia e a proposta de um sinal para o Diagrama de Linus Pauling escrito abaixo em SignWriting.
Sinal de distribuição eletrônica em Sign Writing.
         

No desenvolvimento contínuo do projeto verifica-se que há uma preferência dos estudantes por atividades mais visuais, que podem ser exploradas em várias formas. Podemos destacar que quando se associa o estimulo visual com o sentido do tato, a compreensão do aluno surdo parece torna-se mais eficaz. Os trabalhos continuam com o intento de promover o conhecimento sobre a realidade do aluno surdo no seu desenvolvimento escolar.


Eloi Teixeira César- Doutor em Química pela UFMG
Maria Aparecida Borges- Mestre em Educação pela UNESP
Vinícius S. Carvalho* - Mestrando em ensino de Química pela UFJF
*vinicius-scarvalho@hotmail.com

domingo, 6 de março de 2016

A Educação de Surdos no Brasil: uma reflexão da história e dos atuais desafios dessa educação

Olá amigo leitor. Hoje vamos tratar sobre algumas questões educacionais da comunidade surda no nosso país, perpassando por fatos históricos desse processo educativo.  Essa breve análise historiográfica nos permite identificar e melhor entender as dificuldades vivenciadas por esta comunidade juntamente com a realidade e tendências da educação na perspectiva do aluno surdo.

Ao analisarmos os trabalhos que dizem sobre a história educação de surdos no Brasil, encontramos que seu início se deu em 1855 quando com o apoio do Imperador D. Pedro II, foi fundado o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos – IISM. Segundo Reis (1992), o interesse foi impulsionado pelo fato do Imperador ter um neto com surdez, filho da Princesa Isabel com o conde D’Eu – parcialmente surdo.

O precursor da educação de Surdos no Brasil foi Hernest Huet (1822-1882) que nasceu em Paris, na França. Huet começou seus estudos desde a infância e ouvia normalmente. Ficou surdo aos doze anos de idade por consequência de um sarampo. Pertencente à nobreza, estudou no Instituto em Bourges onde aprendeu a Língua de Sinais francesa. Tornou-se professor de francês para um grupo de surdos na Europa e por sua experiência foi convidado pelo imperador Dom Pedro II.

Segundo o Relatório Anual de 1993 da Federação Nacional de Integração e Educação de Surdos (FENEIS), o francês Huet, ex-diretor do Instituto de Surdos de Paris, trouxe sua experiência a fim de comprovar a capacidade do surdo na área da Educação. Seus trabalhos ajudaram a colocar em funcionamento o Instituto de Surdos-Mudos, a princípio instalado no Centro do Rio de Janeiro. Porém, apenas em 26 de setembro de 1857 consolida-se uma educação sistematizada com a fundação do Instituto Nacional de Educação do Surdo (INES), atualmente no bairro Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Durante anos o INES foi a única escola especial para surdos e recebia surdos de todas as partes do Brasil. Até hoje o Instituto é uma referência não apenas nacional como também internacional.

Figura: Foto antiga e atual do Instituto Nacional de Educação para Surdos – INES. Fontes:http://construindohistoriahoje.blogspot.com.br/2014/10/breve-relato-sobre-aspectos-historicos.html e http://editora-arara-azul.com.br/novoeaa/revista/?p=466

 Dessa forma, a Língua de Sinais adentrou na educação dos indivíduos surdos no Brasil como forma de comunicação e expressão, sobretudo com influência francesa que, aos poucos, foi se desenvolvendo e se adaptando à cultura linguística brasileira.

Atualmente, as comunidades surdas já conquistaram vários espaços relacionados à educação e ao uso da sua língua natural, a Libras. Tais conquistas estão intrinsecamente ligadas a aprovações do legislativo através de Decretos e Leis que garantem ao surdo os seus direitos como cidadãos.

Pesquisas sobre a educação de surdos no Brasil têm mostrado que existem poucos trabalhos que se propõe a investigar o percurso histórico da educação inclusiva do aluno surdo no Ensino de Ciências. A realidade que enfrentamos hoje, segundo Souza e Silveira (2011) é de professores de ciências – e no caso particular de nossa pesquisa, de professores de química – que não possuem formação que lhes possibilitem trabalhar com deficientes auditivos, gerando como consequência a exclusão e distanciamento dos alunos surdos nas aulas desse conteúdo.

Como uma consequência de Leis e Decretos que visam garantir o acesso de todos à educação, os alunos surdos de hoje estudam, em sua maioria, com intérpretes em classes regulares presentes nas escolas inclusivas.  Não existe ainda um questionamento contundente quanto aos pontos positivos e negativos deste fato. Simplesmente, é a Lei que deve ser seguida.

No campo das ciências acadêmicas observa-se um crescente número de pesquisas interessadas em conhecer a realidade da comunidade surda e discorrer sobre a necessidade da formação de professores capacitados, metodologias que contemplem inclusão, dentre outras questões que permeiam o ensino das ciências.

O trabalho de Ferreira, Nascimento e Pitanga (2014) reclama a necessidade de uma formação consistente do professor. Formação esta que englobe os conteúdos e as estratégias metodológicas adequadas e necessárias para que possam atuar com alunos especiais de modo responsável. Urge a necessidade de realizar pesquisas que possibilitem sugestões eficazes para os problemas enfrentados no ensino voltado aos alunos surdos.

No tocante à educação do aluno com surdez, é necessário que todos os profissionais da escola sejam conscientizados de seus papéis para que se permita um caminhar menos árduo desse aluno rumo ao seu sucesso acadêmico. Não basta a existência de uma legislação ampla que, dentre outras garantias, dá o direito a ter o intérprete em sala, mas necessita-se, ainda, de mudanças gradativas e contínuas de toda a sociedade.

Obrigada pela leitura e até breve!

Referências:

Reis, V. P. F. A criança surda e seu mundo: o estado da arte, as políticas e as intervenções necessárias. Dissertação, Vitória, 1992.

FENEIS. Grupo de Pesquisa da FENEIS. Educação de surdos e educação inclusiva. Revista da FENEIS, Relatório Anual (1), 18-20, 1993.

Souza, S. F. de; Silveira, H. E. Terminologias Químicas em LIBRAS: A utilização de sinais na aprendizagem de alunos surdos. Química nova na escola, 33(1), 2011.

Ferreira, W. M.; Nascimento, S. P. F.; Pitanga, A. F. Dez Anos da Lei da Libras: Um Conspecto dos Estudos Publicados nos Últimos 10 Anos nos Anais das Reuniões da Sociedade Brasileira de Química. Química Nova na Escola, 36(3),185-193, 2014.

Jomara M Fernandes
Mestre em Ensino de Química pela Universidade Federal de Juiz de Fora
jomarafernandes@yahoo.com.br

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Comunicação e estratégias de ensino: atenção ao planejar ações e atividades


Olá queridos leitores!
Como vem sendo dialogado em nosso blog, além de conversar sobre o ensino de química, estamos em busca de orientar professores, escolas e familiares para um ensino consciente com alunos surdos. Hoje vamos nos dirigir a professores que estão iniciando o ano letivo com alunos surdos na sala de aula, mas que são leigos sobre o surdo e sua cultura.
Acreditamos que os primeiros passos para uma boa relação em sala de aula acontecem com o processo investigativo de reconhecer sua classe e as diversas identidades culturais que a compõe. Esse conhecimento se torna um grande aliado na hora do planejamento e na busca de recursos e estratégias de ensino a serem aplicadas nesse espaço.
O professor ao identificar um aluno surdo em sala de aula necessita questionar as estratégias de ensino, empregadas com turmas de alunos ouvintes e compreender como acontece o processo de comunicação em uma nova relação professor, aluno e intérprete.
Entendemos assim como Ferreira (2011) que o grande fator problema de surdos na escola é a falta de uma linguagem comum entre ele e seus colegas e professores. O ensino na escola regular segundo Botelho (2002), diz que a língua portuguesa é utilizada de forma total dentro da sala de aula nos processos de letramento, privilegiando estudantes ouvintes, o que exclui usuários de outras línguas, tais como os Surdos, usuários da Língua de Sinais Brasileira acarretando em fracasso escolar e evasão.
Sendo assim, compreendemos que as metodologias de ensino não são a barreira para o processo de inclusão de surdos nas escolas, visto que os mesmos não possuem deficiência cognitiva para o processo de ensino e aprendizagem, mas sim de como essa metodologia será empregada através de suas estratégias.
A realidade do espaço escolar, em sua grande maioria, possui professores não usuários da língua brasileira de sinais (libras), em sala de aula, com pouca ou nenhuma informação sobre cultura surda e por isso, apresentam dificuldades para buscar estratégias que permitem o acesso ao ensino. Nesse sentido, vamos comentar algumas situações e relações de comunicação nesse espaço.
A Ciência, em específico a Química, é um componente curricular que pode ter como aliado a pedagogia visual por apresentar muitos modelos, representações e permitir experimentos, sendo assim as pistas visuais podem facilitar o trabalho do professor.
 Na impossibilidade de fazer com que o aluno compreenda o que deseja, através da fala, a demonstração pode ser um recurso. É preciso tomar cuidado, no entanto, para que as estratégias de comunicação e de ensino não fiquem restritas a demonstração, sendo esta posição inconveniente tanto para ouvintes quanto para surdos. Mas estamos tratando das varias formas de comunicação que devem ser empregadas nesse espaço a fim de incluir surdos e ouvintes. Outro aspecto importante é explorar a expressão corporal, outros sentidos, juntamente com a visão, tais como o tato e olfato através de jogos e dinâmicas por exemplo.
O professor não usuário da libras, no entanto deve ter atenção ao se dirigir os alunos surdos na linguagem oral deve se manter de frente, falar corretamente, em ritmo moderado sem exagerar nos movimentos labiais.  Caso o professor saiba usar a língua de sinais, deve-se usá-la antes ou após a explicação em português não deixando essa função para o intérprete. O intérprete é um mediador, que poderíamos chamá-lo de catalizadores para o estudante surdo, pois acelera a comunicação atraves da libras, porém não deve participar diretamente da elaboração das estratégias de ensino criadas pelo professor, como apresenta um fluxograma abaixo. O importante é que os alunos surdos percebam que o professor se dirige também a eles e que se preocupam em fazer com que se sintam incluídos no grupo. 

Tais colocações na comunicação com o surdo colocam em igualdade de condições com os alunos ouvintes durante as atividades, aproximando no processo de inclusão, além de manter boas relações entre intérpretes - aluno - professor.  Porém, chamamos atenção que nem sempre as estratégias serão úteis em todas as atividades e essas informações não se tratam de uma receita. Os estímulos e estratégias de ensino devem variar e a comunicação deve se dar, tanto quanto possível, através de uma língua. 

Essas são as dicas de hoje na hora de fazer seu planejamento de aula e praticar ações em sala de aula, até mais pessoal!!


Referências:

FERREIRA, E. L. (Org.) . Atividade física, deficiência e inclusão escolar. 01. ed. Niterói: Intertexto, 2011. v. 06. 108p .
BOTELHO, P. Linguagem e Letramento na educação dos surdos - Ideologias e práticas pedagógicas. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

Vinícius Carvalho
Mestrando em Ensino de Química- PPGQ/UFJF
vinicius-scarvalho@hotmail.com